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quarta-feira, março 11, 2009

Cai a taxa de mortalidade infantil no Brasil

A taxa de mortalidade infantil no Brasil prossegue em queda, mas ainda é elevada em relação a países vizinhos

27/11/2008 - 10h56 . Atualizada em 27/11/2008 - 10h58
Agência Estado

A taxa de mortalidade infantil no Brasil prossegue em queda, mas é elevada em relação a outros países vizinhos e poderá registrar novos recuos significativos até 2015, como mostra estudo divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os técnicos do instituto destacam que o aumento da escolaridade feminina, a elevação do porcentual de domicílios com saneamento básico adequado (esgotamento sanitário água potável e coleta de lixo) e o acesso aos serviços de saúde contribuíram para a queda da taxa de mortalidade infantil em todo o País.
'Contudo, ainda há um longo percurso pela frente, uma vez que a mortalidade infantil no Brasil, estimada em 23,3 óbitos de menores de 1 ano para cada mil nascidos vivos, em 2008, é alta quando comparada com os indicadores correspondentes aos países vizinhos do cone sul para o período 2005 - 2010', diz o texto da pesquisa. No mesmo período, países como Argentina (13,4 por mil) Chile (7,2 por mil) e Uruguai (13,1 por mil) registraram taxas bem menores. Ainda de acordo com os técnicos, é importante lembrar que, em 1970, a taxa de mortalidade infantil no Brasil estava próxima de 100 óbitos de crianças menores de 1 ano por mil nascidos vivos.
De acordo com os parâmetros utilizados na projeção da população do Brasil - Revisão 2008, o País poderá reduzir sua mortalidade infantil para 18,2 óbitos de menores de 1 ano para cada mil nascidos vivos até 2015, e a esperança de vida ao nascer deverá atingir os 74,8 anos. Já a probabilidade de um recém-nascido falecer antes de completar os 5 anos de idade poderá experimentar um declínio de 32,9 por mil, hoje, para 21,6 em 2015.
O estudo 'Uma abordagem demográfica para estimar o padrão histórico e os níveis de subnumeração de pessoas nos censos demográficos e contagens da população', traz a projeção da população do Brasil, por sexo e idade, para o período 1980-2050. Este estudo foi divulgado anteriormente em 2004 e, agora, a Revisão 2008 incorpora nova análise da trajetória recente e futura da fecundidade, com base nas informações provenientes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2002 a 2006. O IBGE divulga também a metodologia das estimativas anuais e mensais da população do Brasil e das Unidades da Federação: 1980 - 2030 e a metodologia das estimativas das populações municipais.

 

http://www.cosmo.com.br/noticia/14550/2008-11-27/cai-a-taxa-de-mortalidade-infantil-no-brasil.html

Expectativa de vida será de 81 anos em 2050

 

27 de novembro de 2008 • 10h59 • atualizado às 12h24

 

DANIEL GONÇALVES
DIRETO DO RIO DE JANEIRO

 

A expectativa de vida do brasileiro, em 2050, será de 81,29 anos, segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice está no nível de países como Islândia (81,80), Hong Kong, China (82,20) e Japão (82,60), que estão entre os maiores do mundo. Em 2008, o a expectativa de vida dos brasileiros ficou em 76,6 anos para mulheres e 69 anos para homens.

» População crescerá até 2039
» Nº de mulheres a mais dobrará em 2050
» vc repórter: mande fotos e notícias

O estudo "Uma abordagem demográfica para estimar o padrão histórico e os níveis de subenumeração de pessoas nos censos demográficos e contagens da população" aponta ainda que, em 2050, para cada 100 crianças de 0 a 14 anos existirão 172,7 idosos. Atualmente, esse índice é de 24,7 idosos para cada grupo 100 crianças de 0 a 14 anos.

Para o coordenador do estudo, Juarez de Castro Oliveira, o envelhecimento da população brasileira precisa ser encarado pelo governo como uma necessidade de mudança nas políticas públicas. "O País avança velozmente em direção a um perfil demográfico cada vez mais envelhecido. Nós estamos envelhecendo, e isso implica em mudanças não só de previdência, mas também no que se refere à saúde, educação, transportes", afirmou.

O número de mulheres em relação aos homens também será maior. Em 2050, o estudo prevê 7 milhões de mulheres a mais. O número representa mais do que o dobro do registrado em 2008, quando o excedente de mulheres ficou em 3,4 milhões.

Mortalidade infantil
A taxa de mortalidade infantil no Brasil foi estimada em 23,30 óbitos de menores de 1 ano para cada mil nascidos vivos em 2008. O índice é alto, segundo o IBGE, se comparado com os indicadores correspondentes aos países vizinhos do cone sul para o período 2005 - 2010.

No mesmo período, os países como, por exemplo, Argentina (13,40 por mil), Chile (7,20 por mil) e Uruguai (13,10 por mil) registraram taxas bem menores. Em 1970, no entanto, a taxa de mortalidade infantil no Brasil estava próxima de 100 óbitos de crianças menores de 1 ano por mil nascidos vivos.

De acordo com os parâmetros utilizados na projeção da população do Brasil - Revisão 2008, o país poderá reduzir sua mortalidade infantil para 18,2 óbitos de menores de 1 ano para cada mil nascidos vivos até 2015. Já a probabilidade de uma criança morrer antes de completar os 5 anos de idade poderá experimentar um declínio de 32,9%, posicionando-se em 21,6%0 em 2015.

Redação Terra

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3356955-EI306,00.html

O impacto do envelhecimento sobre a previdência

 

 

O impacto do processo de envelhecimento da população brasileira na Previdência Social deve ser considerado mais detalhadamente, a partir da leitura dos números da expectativa de vida das faixas etárias que requerem benefícios previdenciários. Essa é a opinião do secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, após analisar estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado na quinta-feira (27).

Pelas projeções do IBGE, a expectativa de vida dos brasileiros continuará crescendo nas próximas décadas. A vida média do brasileiro, por exemplo, chegará ao patamar de 81 anos, em 2050. Atualmente, a média de vida do brasileiro (expectativa de vida ao nascer) é de 72,3 anos.

Tanto esses dados como a projeção oficial da população brasileira serão utilizados pelo Ministério da Previdência Social nos cálculos de longo prazo, feitos para dar sustentabilidade ao sistema previdenciário brasileiro. O estudo do IBGE incorpora informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2002 a 2006. Os dados das PNADs são utilizados anualmente pelo Ministério para medir o impacto da cobertura previdenciária.

Schwarzer alerta, também, para a queda da taxa de natalidade, que atingirá o chamado “crescimento zero” em 2039. A seu ver, é outro dado relevante da pesquisa que merece atenção especial. “Essa taxa é que vai determinar quantas pessoas estarão em condições de contribuir para o sistema previdenciário nas próximas décadas”.

Políticas públicas – Schwarzer concorda com as conclusões do estudo, de que o processo de envelhecimento da população se deve basicamente às transformações que vêm ocorrendo na sociedade brasileira e na própria família. Mas vai além: “O sucesso das políticas públicas dos últimos anos e o desejo da maioria das pessoas de viver mais e com melhor qualidade de vida também é determinante para explicar essa tendência”. Segundo o secretário, a redução do número de filhos por mulher não pode ser analisada de forma negativa. “As mulheres cada vez mais participam do mercado de trabalho, além de desempenharem papel preponderante nas questões políticas, econômicas, culturais e sociais do nosso país. Isso, juntamente com o acesso delas aos métodos de planejamento familiar, obviamente tem reflexos no perfil reprodutivo”. Desafios – Outro ponto destacado por Helmut Schwarzer é que essa transição demográfica - além de outras transformações pelas quais passa a sociedade brasileira – apresenta alguns desafios para a sociedade brasileira. Um deles é o impacto sobre o sistema previdenciário, com o aumento de duração dos benefícios e a diminuição do número de futuros contribuintes. O que vai levar, evidentemente, à definição de novas regras de sustentabilidade para o sistema previdenciário no longo prazo.

Ao comentar a constatação do estudo de que o Brasil passa pela chamada “janela demográfica”, em que o número de pessoas com idades potencialmente ativas está em pleno processo de ascensão, Schwarzer afirma que o país não pode desperdiçar esse momento. “Precisamos aproveitar esse bônus demográfico e universalizar urgentemente a cobertura dos trabalhadores ativos e formalizar a sua contribuição ao sistema previdenciário”.

O estudo “Uma abordagem demográfica para estimar o padrão histórico e os níveis de sub numeração de pessoas nos censos demográficos e contagens da população” traz a projeção da população do Brasil, por sexo e idade, para o período de 1980-2050. Os dados divulgados pelo instituto fazem uma revisão de projeções do IBGE, sobre o mesmo tema, publicadas em 2004.

Envelhecimento - O levantamento do IBGE mostra que a população brasileira continua envelhecendo em ritmo acelerado e, em 2039, pára de crescer, quando atingirá o chamado “crescimento zero”. A partir desse ano, as taxas serão negativas.

Dados da pesquisa mostram que, enquanto no período 1950-1960 a taxa de crescimento da população do país era de 3,04% ao ano, em 2008 não ultrapassou 1,05%. E levantamento indica que, em 2050, a taxa de crescimento cairá para menos 0,291%, projetando para uma população de 215,3 milhões de habitantes.

O estudo também aponta que, se o ritmo de crescimento da população tivesse se mantido no mesmo nível observado na década de 1950 (aproximadamente 3% ao ano), a população brasileira em 2008 chegaria a 295 milhões de pessoas, e não aos atuais 189,6 milhões divulgados pelo IBGE. (AgPrev)

http://www.oabprev.com.br/Default.aspx?Noticia=188

Leia também:

http://www.skyscraperlife.com/arquitetura-e-discussoes-urbanas/18538-pesquisa-ibge-crescimento-demografico-do-brasil.html

Janela demográfica garante mais dinamismo ao mercado de trabalho

 

28 de novembro de 2008 às 00:10

Por Karin Sato - InfoMoney

 

O Brasil está passando por um fenômeno que técnicos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) chamaram de janela demográfica.
Acontece quando o número de pessoas com idades potencialmente ativas está em pleno processo de ascensão. Ao mesmo tempo, há uma redução do número de crianças, com idades entre 0 e 14 anos, na comparação com o quadro de pessoas de 15 a 64 anos.
Além disso, a população com idades de ingresso no mercado de trabalho (15 a 24 anos) contabiliza cerca de 34 milhões de pessoas. Mas esse contingente que tende a diminuir nos próximos anos.
Os dados foram divulgados pelo instituto de pesquisa nesta quinta-feira (27) e constam do estudo "Uma abordagem demográfica para estimar o padrão histórico e os níveis de subenumeração de pessoas nos censos demográficos e contagens da população".
Economia é favorecida

O lado positivo desta janela demográfica, que caracteriza um período raro na história dos países, é que seu aproveitamento favorece o mercado de trabalho. As empresas têm à sua disposição uma mão-de-obra mais abundante, se as pessoas em idade potencialmente ativa forem preparadas e qualificadas para tal.
Conseqüentemente, a economia do País cresce mais, já que se torna mais dinâmica. Confira no quadro abaixo a participação relativa percentual da população por grupos de idade:

 

Grupos de idade

1980 (%)

2008 (%)

2020 (%)

2050 (%)

0 a 14 anos

38,24

26,47

20,07

13,15

15 a 24 anos

21,11

18,11

16,34

10,45

0 a 24 anos

59,35

44,57

36,41

23,60

15 a 64 anos

57,75

67

70,70

64,14

 

 

http://www.administradores.com.br/noticias/janela_demografica_garante_mais_dinamismo_ao_mercado_de_trabalho/19056/

O Brasil em 2050

 

06/03/2009 12:13:38

Delfim Netto

Uma das variáveis estruturais críticas para a formulação de políticas econômicas, capazes de acelerar o desenvolvimento econômico com o uso dos mecanismos do mercado e de políticas públicas que deem moralidade à dura competição que nele prevalece, é a estrutura demográfica. O número de habitantes, a taxa de crescimento, a distribuição etária e, por gênero, a distribuição geográfica, a urbanização e a dinâmica interna, que é controlada pela evolução das taxas de natalidade e de mortalidade. Sua projeção é sempre difícil e sujeita a erros gerados pela própria endogeneidade do processo.
Não é um problema trivial prever os efeitos finais de boas políticas. Por exemplo, a melhoria do nível de educação das mulheres tende a reduzir a taxa de mortalidade infantil pelo maior cuidado com sua higiene pessoal e com a da criança. Ao mesmo tempo, modifica o seu papel na divisão do trabalho no lar. Dá-lhes melhores condições de escolher a sua vida, o que estimula o uso de técnicas anticoncepcionais. Estas possibilitam o maior controle da taxa de fertilidade, o que tende a reduzir a taxa de natalidade.
Uma coisa parece clara: boas políticas públicas de assistência social, de saúde e de educação tendem a reduzir, simultaneamente, a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade. Isso torna incertos os efeitos sobre a taxa de crescimento da população, mas trabalha na direção de envelhecer a estrutura etária. Pesquisas demográficas da ONU mostram que a idade mediana da população nas nações mais desenvolvidas cresceu de 29 anos, em 1950, para 37 anos, em 2000, e está projetada em 46 anos em 2050.
O último trabalho do IBGE, Uma Abordagem Demográfica para Estimar o Padrão Histórico e os Níveis de Subnumeração de Pessoas nos Censos Demográficos e Contagem da População, incorpora uma projeção da população por sexo e idade até 2050, com as informações sobre a taxa de fecundidade dos dados da Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) de 2002 a 2006.
O trabalho constrói uma trajetória provável da taxa de fecundidade até 2050 e chega à conclusão que, no limite, ela será de 1,5 filho por mulher. Esse número seria alcançado entre 2027 e 2028. Obviamente, em certo momento isso estagnará o crescimento da população. Ela passará, em seguida, a decrescer. Verificadas as hipóteses, a população brasileira passaria por um máximo próximo a 220 milhões de habitantes em torno de 2040.
O resultado não deixa de ser surpreendente e deve ser levado em conta na formulação de nossas políticas econômica e social, uma vez que o envelhecimento da população será rápido e dramático. A idade mediana da população saltará de 20 para 40 anos de 1980 a 2030 e deve atingir 46 anos em 2050, a mesma estimada pela ONU para o mundo desenvolvido. O gráfico dá uma ideia da evolução da população do Brasil entre 1872 (o primeiro censo imperial) e 2008, e mostra as projeções da população e a composição etária até 2050.
Grosseiramente, até 2050 (que em termos de país é amanhã), o número de crianças cairá 56% (21,9 milhões) e o número de idosos aumentará 294% (36,5 milhões). É preciso formular políticas públicas que aumentem a produtividade dos que podem eventualmente trabalhar, que crescerá apenas 8,7% (11,1 milhões). A maior lição desses números é mostrar a futilidade das vinculações constitucionais para proteger certos setores, como se as necessidades da sociedade fossem fixas e eternas.

Delfim Netto

Sextante

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=3526

quarta-feira, julho 02, 2008

Fashion Week, máfias e trabalho escravo

 

ALTAMIRO BORGES*

Nas duas últimas semanas, as elites opulentas e os apreciadores da alta costura se deliciaram com os desfiles de moda no Rio de Janeiro e São Paulo, a paparicada Fashion Week. Jornais gastaram toneladas de papel para comentar cada grife nas passarelas. Já as televisões, com destaque para a TV Globo, ocuparam os espaços nobres com suas reportagens consumistas e hedonistas bem ao gosto dos ricaços. No mesmo período, a mídia burguesa fez de tudo para desqualificar a greve de 230 mil professores paulistas, “que tumultuou o trânsito dos que foram ao desfile na capital”. A visão classista da imprensa ficou escancarada nestas duas coberturas “jornalísticas”.

Sem desprezar a criatividade dos estilistas brasileiros e as peculiaridades desta indústria no país, seria sensato que a mídia não tratasse com tanto glamour este badalado mundo da moda. O livro Camorra, de Roberto Saviano, ajuda a desmistificar este setor altamente lucrativo. Lançado em 2006 na Itália, traduzido em 47 países e com 1 milhão de exemplares vendidos, ele descortina os bastidores deste “negócio”. Para isso, o jornalista italiano se infiltrou na Camorra, a organização criminosa sediada em Nápoles que já suplantou a máfia siciliana em movimentações financeiras. Após sofrer um atentado a bomba, hoje ele vive sob escolta policial e utiliza carros blindados.

Valentino, Versace, Prada e Armani

Na sua corajosa pesquisa, Saviano descobriu que um dos braços da máfia camorrista se estende à indústria da moda. Ele comprova que famosas grifes terceirizam a sua produção junto ao sistema fabril controlado pela Camorra. Muitas confecções inclusive utilizam mão-de-obra de imigrantes ilegais, com base no trabalho escravo. Como aponta Walter Maierovitch, numa resenha do livro para a revista Carta Capital, a obra “acertou em cheio grandes grifes mundiais, como Valentino, Versace, Prada e Armani. Essas empresas desfrutaram deste esquema ilegal, protegendo-se da responsabilidade criminal por meio do ridículo argumento do ‘terceirizei e basta’”.

Somente após a repercussão do livro e as denúncias da Procuradoria Antimáfia da Itália, algumas destas bilionárias empresas começaram a criticar o mercado pirata da moda. A omissão, segundo Saviano, teria os seus motivos. “Denunciar o grande mercado significava renunciar para sempre à mão-de-obra a baixo custo que utilizavam. Os clãs teriam, em represália, fechado os canais de acesso às confecções que controlam no país e as do Leste Europeu e Oriente”. O livro revela como uma empresa legal se compõe com milhares de confecções do “sistema Camorra”. Cita os leilões de modelos em escolas de Nápoles com a presença de compradores das grifes mundiais.

Ao destrinchar como funciona a Camorra, hoje uma poderosa “multinacional” com ramificações em vários setores – alta costura, drogas, contrabando e mercado financeiro –, Saviano mostra as precárias condições de trabalho dos imigrantes ilegais e dos milhares de jovens desempregados, recrutados nas periferias napolitanas. No tráfico de drogas, os jovens fazem entregas com motocicletas fornecidas pelos clãs mafiosos. Depois de várias entregas, eles ganham a moto de presente e realizam um “grande sonho, sem perceber que os capi lucraram muito mais”.

* Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB e autor do livro recém-lançado “Sindicalismo, resistência e alternativas”

quarta-feira, abril 23, 2008

Os novos índices da Aids

A julgar pelos cálculos do último ano, a velocidade de disseminação da epidemia mundial de Aids parece ter arrefecido. Dois grupos da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicaram estimativas a respeito do número de pessoas HIV-positivas que contradizem previsões anteriores. Segundo ambos os estudos, haveria hoje 33,2 milhões de infectados, ao contrário dos 39,5 milhões citados nas estatísticas de 2006.
O número anual de novas infecções também teria caído: 4,3 milhões de novos casos em 2006, ante 2,5 milhões em 2007.De acordo com essas avaliações, a incidência mundial teria alcançado o pico na segunda metade dos anos 1990.
Embora favoráveis, os dados não devem gerar otimismo. Parcela significante das previsões anunciadas pelo Joint United Nations Programme on HIV/Aids (Unaids) e pela OMS resulta do fato de que as anteriores estavam exageradas. Um entendimento mais abrangente da dinâmica de transmissão da infecção combinado com o aperfeiçoamento dos métodos de cálculo da prevalência do HIV justificaria as quedas documentadas nos relatórios de 2007.
Mudanças comportamentais que levaram à adoção de medidas preventivas, como prática de sexo seguro e abandono do uso de drogas injetáveis, contribuíram para as reduções observadas em alguns países, mas não conseguem explicar os resultados globais.
As diferenças levaram alguns críticos a atribuí-las à manipulação anterior dos dados pelas agências internacionais, com o objetivo de obter fundos mais generosos para o combate da epidemia. Os técnicos do Unaids e da OMS negam com ênfase tal acusação; defendem-se justificando que trabalham com as informações mais confiáveis disponíveis ao fim de cada ano.
Cerca de 70% da queda do número de infectados veio de Angola, Índia, Quênia, Moçambique, Nigéria e Zimbábue. Na Índia, ocorreu a mudança mais significativa: 5,7 milhões de infectados nas estimativas de 2006 e 2,5 milhões nas atuais.
No Zimbábue e no Quênia, parte da redução está relacionada com a adoção de práticas de sexo seguro. Em outros países, no entanto, a justificativa está na identificação mais acurada dos portadores do vírus através de centros-sentinela distribuídos em áreas mais remotas. Apenas na Índia, hoje existem 1.100 desses centros, ante 155 no fim dos anos 1990.
Os inquéritos epidemiológicos mais recentes revelaram que aqueles do passado, ao extrapolar para a população geral a predominância encontrada em clínicas de atendimento pré-natal, inflacionavam a parcela de infectados em cerca de 20%, uma vez que não levavam em conta a prevalência mais baixa nas mulheres sexualmente inativas, nas que só praticam sexo seguro e nos homens.
Nem todas as taxas caíram, entretanto. Nos países do Leste e da região central da Ásia, a prevalência aumentou 150%, desde 2001. Cerca de 90% dessas novas infecções aconteceram na Rússia e na Ucrânia. No Vietnã, a prevalência duplicou entre 2000 e 2005. Na Indonésia, a velocidade de propagação é a mais rápida do continente asiático. Surgiu mais um dado importante nesses estudos: sem tratamento, a infecção pelo HIV leva, em média, 11 anos para manifestar os primeiros sintomas, ao contrário dos nove anos, como se supunha. Essa velocidade mais lenta de progressão para as fases sintomáticas da Aids modifica os índices de mortalidade. O uso de medicamentos contra o vírus, hoje disponíveis para mais de 2 milhões de portadores que vivem em países de renda per capita baixa ou intermediária, também contribui para a redução da mortalidade: 2,9 milhões de óbitos em 2006, ante 2,1 milhões em 2007.
Estatísticas otimistas à parte, a existência de 33 milhões de portadores de um vírus sexualmente transmissível causador de uma infecção incurável, controlada com dificuldade apenas por meio do uso contínuo de medicamentos causadores de efeitos indesejáveis, acessíveis mundialmente a uma parcela ínfima dos infectados, dá uma dimensão da tragédia humana provocada pela epidemia.

terça-feira, março 13, 2007

A bomba demográfica não vai explodir

A explosão malthusiana não aconteceu, o seu poder de detonação se esvaziou nas últimas três décadas.
Texto original de Donald G. Macneil JR./ The New York Times pulbicado no jornal O Estado de São Paulo 5 de setembro de 2004
Adaptação para aulas de Geografia - Prof. Silvio - EE Prof. Renê Rodrigues de Moraes - Guarujá/SP - 07/09/2004

A População Mundial
Desde 1968, quando a Divisão de População da ONU previu que a população mundial, que esta agora em 6,4 bilhões, chegaria no ano de 2050, com no mínimo de 12 bilhões, este órgão tem constantemente revisado suas estimativas para baixo. Agora a previsão é que em 2050 a população mundial chegue a 9 bilhões.

O que aconteceu ?
Milhões de bebes morreram, de diversas causas, como, aids, malária, diarréia, pneumonia e até sarampo. Muito milhões foram abortados, para evitar o nascimento, ou, como na China e Índia, evitar uma menina, pois com o uso da tecnologia da ultra-sonografia é possível saber o sexo da criança. Mas os verdadeiros milhões que estão faltando são os bebes que nunca foram concebidos, pois no ocidente rico as mães estão trabalhando ou na faculdade e decidiram que não haveria recursos financeiros para manter três filhos na faculdade.
Quase metade das pessoas do mundo vive nas cidades, e a criança não tem mais o mesmo significado da zona rural, quando uma criança significava mão de obra para o trabalho no campo. Além disso, medidas simples de saúde pública tais como represas para fornecer água limpa, vitaminas para as grávidas, lavagem de mão das parteiras, soro caseiro, vacinas e antibióticos ajudaram a dobrar a expectativa de vida no século XX, de 30 para 60 anos. Significando mais crianças, menos incentivo para gravides com mais freqüência.
No final da década de 70, a taxa de natalidade média mundial era de 5,4 filhos por mulher, chegando em 2000 em 2,9.

Taxa de Reposição
Em condições normais (sem guerras, doenças etc.) um país precisa de uma taxa de fecundidade de 2,1 filhos por mulher para manter sua população estável.
O exemplo mais conhecido de redução da população é a Itália, cujas mulheres antes eram símbolos de fecundidade em parte por causa das tradições camponesas do país e em parte por causa do catolicismo romano que não aceita o controle de natalidade. Em 2000, a taxa de fertilidade foi a mais baixa da Europa Ocidental - 1,2 nascimento por mulher. A expectativa é que até 2050 a população esteja 20% menor.
A rica, liberal e protestante Dinamarca também ficou abaixo do nível ideal para substituição da população, que em 1970 apresentava uma taxa de 2 filhos por mulher, chega em 2001, com apenas 1,7 filhos por mulher. Na Albânia, o país mais pobre da Europa, a taxa de fecundidade era de 5,1 filhos por mulher em 1970, chega em 1999, com 2,1.
Mesmo ao norte da África, região considerada a grande exceção da tendência ao encolhimento as taxas caíram. No Egito, por exemplo, onde a taxa foi 5,4 filhos por mulher em 1970, hoje não passa de 3,6. Na Tunísia e no Irã os números estão próximo de dois filhos.

China Reduz Taxa de Natalidade
As antigas idéias sobre a fertilidade asiática também são falsas , pois a China baixou a taxa de natalidade para o nível da França. A população do Japão esta diminuindo, a Coréia do Sul, um país essencialmente agrícola nos anos 50, com uma média de 6 filhos por mulher, após cinco décadas de industrialização, tem agora 1,7 filhos por mulher, uma taxa abaixo da taxa ideal para reposição da população, o que significa redução da população a médio prazo.

Algumas populações podem desaparecer?
Alarmados com essa tendência de redução da população, muitos países estão pagando para suas mulheres engravidarem. A Estônia paga um ano de licença maternidade. A Austrália propôs para o orçamento de 2004 uma ajuda de custo de US$ 2 mil por bebe nascido. No Japão as prefeituras começam a atacar o problema organizando excursões para solteiros.
Metade do crescimento da população mundial esta em seis países: Índia, Paquistão, Nigéria, Indonésia, Bangladesh e China (apesar da redução da taxa de natalidade).

A Multiplicação da Pobreza

A Multiplicação da Pobreza
Nos bolsões de miséria do Brasil, o número de filhos por mulher se iguala ao dos mais pobres países africanos

Para definir a taxa de fecundidade "ideal", que aponta para a estabilização do crescimento populacional de um país, demógrafos partiram de um pressuposto simples: o de que crianças são geradas por duas pessoas que, um dia, irão morrer e deverão, portanto, ser substituídas por outras duas. A chamada "taxa de reposição" é, por esse motivo, de 2,1 filhos por mulher. O Brasil já teve uma média quase três vezes superior a essa.
Hoje, as famílias têm, em média, 2,3 crianças – índice bem próximo do necessário para o equilíbrio populacional.
Mas este número esconde uma outra preocupante realidade na Demografia Brasileira :o fato de que persistem no mapa brasileiro regiões onde as mulheres têm um bebê por ano e chegam ao fim de sua vida fértil com mais de vinte filhos, reproduzindo um quadro semelhante ao exibido por países tão miseráveis quanto Somália e Uganda, na África. Mais grave que isso: diferentemente do que ocorria até pouco tempo atrás, esses bolsões de descontrole populacional não se situam apenas em rincões, mas nos grandes centros urbanos também – as favelas se tornaram ilhas de explosão demográfica dentro das metrópoles.

Um dado extraído do Censo do IBGE indica que, na última década, a população de favelas aumentou num ritmo quase três vezes superior à média brasileira. As maiores expansões ocorreram nas cidades de São Paulo, Belém e Rio de Janeiro.
No Rio de Janeiro, enquanto a população cresceu a uma taxa de 0,74% ao ano na década passada, o número de habitantes de favelas aumentou a um ritmo de 2,4%.
De acordo com os pesquisadores do IBGE, os fatores que podem ser apontados como responsáveis pelo crescimento populacional nesses bolsões, são;
(com peso de 35%) foi o aumento da fecundidade,
seguido pela imigração (com peso de 17%).
Há outros elementos que, isoladamente, tiveram influência menor, como o aumento da expectativa de vida e a chegada de pessoas empobrecidas da própria cidade. Uma projeção feita pela Fundação Getúlio Vargas indica que a população favelada brasileira irá mais do que dobrar nos próximos dez anos caso o ritmo de crescimento populacional nessas áreas permaneça estável, poderá chegar a 13,5 milhões de pessoas.

Os números comprovam, porém, que existe um vínculo estreito entre o crescimento populacional e o desenvolvimento de uma economia. As mais pobres regiões brasileiras são as que têm as mais altas taxas de fecundidade. Nas mais ricas, é o oposto. A cidade com o menor índice de fecundidade do Brasil, São Caetano do Sul (SP), é a que apresenta a segunda maior renda per capita do país. O mesmo ocorre no âmbito das famílias: em lares onde a renda per capita não supera um quarto de salário mínimo, há em média cinco filhos, segundo o IBGE. Quando essa renda ultrapassa cinco salários mínimos, predomina o filho único. O alto número de filhos seria a razão da pobreza ou sua conseqüência? As duas coisas, respondem especialistas. Com muitos filhos, uma família com renda já escassa fica com o orçamento ainda mais espremido. As crianças são forçadas a largar os estudos para trabalhar e, assim, diminuem suas chances de superar a condição de pobreza. Sabe-se também que mulheres que não tiveram acesso ao estudo têm até três vezes mais filhos do que as que cursaram a universidade. "As altas taxas de fecundidade funcionam como uma espécie de combustível que faz girar um ciclo perverso de miséria", observa o economista Marcelo Neri, da FGV


Fonte:Texto Original - Revista Veja - ed 1857 - 9 de junho de 2004 pág 83

A Desaceleração do Crescimento Populacional

A Desaceleração do Crescimento Populacional
O processo de urbanização foi um dos fatores que contribuíram para refrear o aumento populacional no Brasil

A Desaceleração
O processo de urbanização foi um dos fatores que contribuíram para refrear o aumento populacional no Brasil. Ao trocarem o campo pela cidade, as pessoas passaram a ter acesso a serviços públicos como saúde e educação. A universalização da previdência também influenciou na redução dos nascimentos, sobretudo porque fez arrefecer a crença, até hoje persistente em áreas rurais, de que a única fonte de renda na velhice viria do trabalho dos filhos – o benefício fez diminuir o temor dos brasileiros de chegar à velhice sem nenhum tostão. Um estudo feito na década de 70 chegou à curiosa conclusão de que as telenovelas foram outro fator a ajudar no encolhimento dos lares. "Como a maioria delas exibia famílias de dois filhos, o padrão acabou influenciando os casais", diz a demógrafa Elza Berquó, do Núcleo de Estudos da População da Unicamp, que participou da pesquisa na época.

Planejamento Familiar
A história das políticas de planejamento familiar é cheia de idas e vindas. Embora a distribuição de preservativos pelos hospitais públicos tenha começado nos anos 70, foi só a partir de 1996, por força de lei, que camisinhas e anticoncepcionais começaram a chegar sistematicamente às regiões mais pobres e distantes das grandes cidades. Agora, o governo federal está preparando um pacote de medidas, a ser anunciado ainda neste mês, que promete aumentar a opção de anticoncepcionais ofertados pelo Estado e dobrar o número de hospitais públicos que fazem esterilizações, hoje disponíveis em menos de 10% dos municípios brasileiros. A interferência governamental exige precisão cirúrgica para que não cause danos difíceis de reverter.
O Brasil já exibe uma queda consistente nas taxas de crescimento populacional. Uma ação generalizada poderia acelerar perigosamente essa tendência. Demógrafos afirmam que é muito mais fácil diminuir a taxa de fecundidade do que aumentá-la.

A Situação da Europa
Há anos a Europa assiste à diminuição de sua população. A situação é particularmente grave em países como Itália, Espanha, Alemanha e Suíça, todos com crescimento populacional próximo de zero. Diante da perspectiva de diminuir, esses países passaram a implantar programas de estímulo à natalidade, que incluem de abatimento no imposto de renda a licença remunerada de até um ano para os candidatos a pais. Na Itália, que junto com a Espanha tem a menor taxa de natalidade da Europa (1,2 filho por casal), o problema ganhou proporções tão dramáticas que a Igreja resolveu interferir: "Italianos, façam filhos", foi o slogan da campanha lançada há dois anos. Nem o incentivo da Igreja Católica nem as benesses oferecidas pelo governo estão dando resultados. Projeções indicam que tanto a Itália quanto a Suíça estão prestes a ter crescimento populacional negativo. Ou seja, encolherão de fato. Assim como a Alemanha, a Itália já afrouxou as exigências para a entrada de imigrantes dispostos a trabalhar – a única maneira de manter a economia funcionando nos níveis atuais.

A Situação no Brasil
No Brasil, embora o crescimento populacional continue caindo, as regiões pobres e, sobretudo, as favelas vêem agravar-se fenômenos que apontam na direção contrária, como o aumento da gravidez na adolescência, por exemplo. O último censo mostrou que mulheres de baixa renda estão tendo filhos cada vez mais cedo. Nos últimos dez anos, aumentou em 42% o número de mães pobres na faixa de 15 a 19 anos. "A ação do governo tem de ser precisa e baseada em estudos que ataquem problemas localizados como esse", diz o demógrafo Paulo Murad Saad, da Divisão de Populações da Organização das Nações Unidas. Ou seja, regiões com diferentes níveis de instrução e riqueza têm de ser alvo de políticas específicas.


Fonte:Texto Original - Revista Veja - ed 1857 - 9 de junho de 2004 pág 83

quinta-feira, julho 27, 2006

Desafios da ajuda humanitária

RNW: Desafios da ajuda humanitária: "Desafios da ajuda humanitária

Pieternel Gruppen*

27-07-2006
É preciso cerca de 150 milhões de dólares para ajudar a população libanesa nos próximos três meses. Estes são os cálculos das Nações Unidas. Depois de duas semanas de combate ficou claro que a ajuda é necessária. Ao mesmo tempo percebe-se que muitos são os obstáculos para que o socorro chegue."

RNW: A bomba relógio da imigração

RNW: A bomba relógio da imigração: "A bomba relógio da imigração

Luís Henrique de Freitas Pádua e Lia van Bekhoven

27-07-2006

Os imigrantes chegam por todos os lados e a Europa se preocupa com o problema. A costa do Mediterrâneo está abarrotada de barcos com clandestinos africanos que tentam aportar no Continente Europeu. A Espanha, país que mais se defronta diretamente com a situação no seu litoral, há alguns anos, deu anistia a vários ilegais no país, atitude que, na época, foi muito criticada por outros países membros da União Européia."

quarta-feira, maio 17, 2006

Mercado exclui 39% da população apta ao trabalho

Dos 115 milhões de brasileiros com idade para trabalhar, apenas 80 milhões constituem a População Economicamente Ativa (PEA) e somente 70 milhões estão efetivamente ocupados, segundo informações do Diário do Nordeste. Ou seja, do total de pessoas com idade para trabalhar, 39% não são aproveitadas. "É um mundo de gente que poderia estar trabalhando", comenta Ladislau Dowbor, professor de Economia e Administração da PUC de São Paulo.

Segundo ele, o Brasil tem um alto grau de subutilização da mão-de-obra porque possui um potencial de força de trabalho muito mais numeroso que a PEA.

Dowbor frisa que iniciativas inovadoras, em termos organizacionais, podem aproveitar a capacidade de trabalho ainda sem ocupação. Para ele, idéias simples são capazes de "encontrar caminhos para que os desempregados passem a se organizar em frentes de trabalho".

O professor da PUC diz ainda que "não falta o que fazer", pois há um conjunto de atividades intensivas de mão-de-obra pouco qualificada que podem ser estimuladas a curto prazo, como obras habitacionais, de saneamento, de pavimentação e arborização. "São projetos que qualquer prefeitura sabe implementar", destaca.